No Rio, João Doria nega candidatura a presidente em 2018

Em encontro com empresários nesta segunda-feira no Rio de Janeiro, o prefeito de São Paulo, João Doria Jr. (PSDB), voltou a negar que pretende ser candidato à presidência em 2018. “Não sou candidato a nada, sou candidato a ser o melhor prefeito de São Paulo”, e emendou: “Meu compromisso é fazer uma cidade melhor e um país melhor. Nisso só tem uma bandeira, e ela não é vermelha, é verde e amarela”.

Embora tenha negado as intenções presidenciáveis, Doria aproveitou a agenda no Rio para criticar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chamado pelo tucano de “sem-vergonha”, e afirmou que quer ser “querido pelo povo”. “Lula tem a cara de pau de dizer que o país precisa do PT e da moralidade. Lula é o maior sem-vergonha do país e deu aula de imoralidade. Eu não. Não estou na Lava Jato e não recebi dinheiro da JBS”, disparou João Doria.

Pouco antes do evento, em um encontro rápido e reservado com o prefeito carioca Marcelo Crivella (PRB), Doria já havia alfinetado o PT ao afirmar que o país enfrenta “13 anos de recessão e 14 milhões de desempregados”.

Novato no ninho tucano, o prefeito paulistano foi elogiado por correligionários no Rio. “Sua gestão em São Paulo é uma esperança para o futuro do nosso Brasil, nesse momento tão difícil. Acompanhamos seu trabalho e achamos que ele deve se expandir para o Brasil”, afirmou o deputado estadual Carlos Osório (PSDB).

A jornalistas, João Doria disse que a decisão do PSDB de manter apoio ao governo do presidente Michel Temer após a delação-bomba do empresário Joesley Batista não é “irrevogável”. Apesar disso, ele entende que o partido deve esperar a decisão da Justiça.

“Se houver uma situação que implique o presidente Temer em uma culpa flagrante, evidentemente que o PSDB deve reavaliar esse apoio. Mas, enquanto isso, o partido não pode precipitar um juízo. Enquanto [o governo] merecer a estabilidade governamental com os ministros do PSDB, temos que oferecer essa garantia, mas não em caráter irrevogável”, afirmou.

Questionado sobre o destino do correligionário Aécio Neves (PSDB-MG) em caso de condenação, Doria admitiu que o momento é “delicado para o PSDB”, mas voltou a argumentar que é preciso aguardar o judiciário. Na palestra com empresários minutos antes, o prefeito, sem citar nomes, falou que a legenda cometeu erros.  “Nós temos que olhar para dentro do partido. Também temos que fazer o mea culpa e reconhecer nossos erros”.

 

 

 

 

Fonte: Veja.abril.com.br

Doria determina “lei do silêncio” sobre eleições de 2018

São Paulo – No cargo há menos de três meses, o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), começa a experimentar as primeiras ondas de calor oriundas da fogueira de vaidades do PSDB e já teme ser vítima do famoso “fogo amigo” tucano.

Como consequência, Doria orientou assessores diretos a evitar comentários e análises em público e em privado sobre a possibilidade de ele ser candidato a presidente ou a governador do Estado em 2018.

A primeira labareda mais intensa foi sentida na semana passada. Em entrevistas publicadas pelos jornais O Estado de S. Paulo e “O Globo”, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou Doria.

“Gestor não inspira nada. Tem de ser líder.” Apresentar-se como um “gestor” da iniciativa privada foi um fator decisivo na campanha eleitoral pela Prefeitura de São Paulo.

Faíscas de fogo amigo surgem nos grupos do senador José Serra e do governador Geraldo Alckmin, que, nos bastidores, começam a ensaiar as primeiras críticas à gestão Doria na Prefeitura.

Outra chamuscada foi dada pelos partidos aliados de Alckmin em São Paulo. O secretário-geral do PTB, deputado estadual Campos Machado, e Roberto Jefferson, presidente nacional da legenda, afirmaram que o PTB “apoia Alckmin, e não o PSDB” à Presidência em 2018.

Para ficar mais claro, disseram que Doria não teria o apoio deles em uma candidatura. Setores do PHS e do PV foram na mesma linha.

Por causa disso, o prefeito avalia que suas chances de concorrer ao Planalto diminuem conforme aumentam as especulações em torno de sua eventual candidatura.

Segundo um de seus auxiliares, o prefeito entende que administrar São Paulo e obter sucesso na empreitada é, hoje, seu maior capital político.

Até porque, como ficou claro, Doria não terá apoio dos três principais líderes do PSDB em São Paulo caso queira se lançar, agora, no cenário eleitoral.

FHC, Serra e Alckmin não estão interessados em tê-lo como pré-candidato ao Planalto neste momento, já que os dois últimos também cogitam concorrer a presidente.

Quanto ao governo, ainda não há consenso. Serra é mais refratário à ideia, enquanto Alckmin se mostra menos resistente a cada dia.

Presidente nacional do PSDB, o senador Aécio Neves (MG) não fechou posição sobre o tema. Como disse um de seus aliados, Aécio não gosta da ideia porque ainda se coloca como candidato ao Planalto em 2018, mas também não desgosta porque é interessante para ele ver Doria agitando os bastidores do PSDB paulista.

Em público e também reservadamente, Doria não se cansa de repetir que seu candidato a presidente é Alckmin, a quem deve a candidatura a prefeito e boa parcela do sucesso eleitoral.

Não será tarefa fácil, no entanto, para assessores diretos de Doria obedecerem à “lei do silêncio” imposta por ele.

O entorno mais próximo do prefeito está empolgado com seu modo de fazer política e de comandar. Acha que ele tem um dinamismo raro entre seus pares.

Porém, quem conheceu seu estilo mais de perto nestes quase três meses de gestão diz que, caso ele identifique alguma “central de boatos eleitorais” na administração, será implacável na punição.

De fora pra dentro

Como ninguém no PSDB assume a autoria ou mesmo reconhece um movimento concreto pró-Doria 2018 dentro do partido, a maior força do prefeito neste momento está entre os chamados “simpatizantes”. Até agora o mais barulhento deles é o Movimento Brasil Livre (MBL), que já lançou Doria para a Presidência da República.

Há ações pela candidatura Doria também entre o empresariado que tendem a ganhar mais corpo se o conjunto das delações da Odebrecht complicar o trio Serra, Aécio e Alckmin.

Se isso se confirmar, o mais provável é que a “lei do silêncio” do prefeito seja ineficaz diante da temperatura política. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

 

Fonte: Exame.abril.com.br